Sensação de areia, ardência, olhos vermelhos no fim do dia, visão que embaça e clareia ao piscar. O olho seco é uma das queixas mais comuns do consultório — e uma das mais negligenciadas, porque muita gente acha que é "normal" e convive anos com o desconforto.
O que é a doença do olho seco?
É um desequilíbrio na lágrima — em quantidade ou em qualidade. A lágrima saudável tem três camadas (oleosa, aquosa e de mucina) e forma um filme estável que protege e lubrifica a córnea. Quando esse filme falha, a superfície do olho inflama e surge o ciclo: ressecamento → inflamação → mais ressecamento.
Principais causas
- Disfunção das glândulas de Meibômio: as glândulas das pálpebras que produzem a camada oleosa entopem — causa mais comum;
- Telas: ao usar computador e celular, piscamos até 60% menos;
- Ar-condicionado e clima seco — realidade conhecida em Mato Grosso;
- Idade e alterações hormonais (a menopausa é um marco clássico);
- Medicamentos (antialérgicos, antidepressivos, isotretinoína);
- Doenças autoimunes, como Sjögren, artrite reumatoide e lúpus;
- Uso prolongado de lentes de contato.
Como tratamos
O primeiro passo é identificar qual componente da lágrima está falhando — o tratamento é diferente em cada caso:
- Lágrimas artificiais de qualidade, sem conservantes para uso frequente;
- Higiene palpebral e compressas mornas para desobstruir as glândulas;
- Anti-inflamatórios tópicos em ciclos, quando há inflamação estabelecida;
- Ajustes de ambiente e hábitos (pausas de tela, umidificação, hidratação);
- Tratamento de doenças associadas — blefarite, alergia, rosácea.
Olho seco tem tratamento eficaz, mas não tem fórmula única. A avaliação identifica a causa no seu caso — e é isso que muda o resultado.